Ontem minha mulher me perguntou que nota eu daria pro FIQ de 1 à 10. Sem titubiar respondi: DEZ!
Foi muito bom conhecer esse mundaréu de gente interessada e apaixonada pelas bandas desenhadas, gringos e brasucas, que estavam lá para vender seu peixe, conhecer pessoas ou apenas tomar cevas com os amigos. Enfim, muito obrigado ao Rogê, Mamau e Azeitona pela brodagem, Gêmeos Bá e Moon pelo convite ao estande, Pri Perca, Pedro Baratacom e July por terem segurado a onda nas vendas e tudo mais, Breno Tamura e Rod Reis pelas risadas, Sidney Gusman pelos elogios e Gustavo Duarte por sua distinta presença! Edu Medeiros e Rafa Albuquerque, vcs sabem, é nóis! Sem esquecer de todos que conheci e foram gente boa bagarai! Foda gurizada, VALEU!
foto roubada do twitpic do @sidneygusman.
Acredito que, para qualquer profissional em início de carreira, como eu, ir à um evento como o FIQ é entrar em um turbilhão violento de idéias e possibilidades infinitas. Minha cabeça ainda tá girando e tô digerindo isso tudo aos poucos.
Você se depara com diferentes realidades, ideologias, objetivos, e tenta se posicionar nesse meio. Pra mim, que sempre li de tudo (e de nada) e procuro, não sei se consigo, ver as coisas sem preconceitos, esse é um ambiente muito rico e deve ser considerado como um todo. Este pode ser o início do tal “mercado nacional” ou das escolas que criarão a geração que vai viver num Brasil com tal coisa. Mas apenas pode, ainda não sei se é.
foto roubada do omelete.com.br
Todas (ou quase todas) ramificaçãoes do meio pareciam estar presentes e atuantes. Sobre isso teço elogios e críticas.
Por um lado, vê-se artistas adorados pelos fãs babões, mais por conta dos personagens que estão desenhando do que pelo seu trabalho em si. Não entendam mal, esses peões são verdadeiros heróis e lidam com o dia-a-dia de fazer o produto dos outros numa máquina cheia de engrenagens, que tende a esmagar os artesões na base mais baixa da pirâmide. Eu sei bem disso. Mas, por exemplo, a idéia de uma palestra sobre o Batman me parece um tanto idiota. Falar o quê?! Na hora brinquei que deveria entrar na palestra apenas para perguntar se alguém sabia qual o “segredo do Morcego” e quando surgisse a já famosa resposta, todos exaltariam: O cara é demais! (Piadas á parte, acho mesmo que esta poderia ser a pergunta mais relevante neste painel.)
Bem, por outro lado, temos os figurões, que desenvolvem um trabalho foda, de ponta (que deve ser reconhecido e respeitado) e sabem muito bem como guiar suas carreiras como criadores. Tanto que influenciam e transformam a indústria das HQs no mundo. Talvez por esse motivo, alguns deles achem que seus caminhos e escolhas são as únicas corretas e acertadas. Porém, cada um tem suas necessidades, prioridades e paixões. De qualquer forma, conselhos e críticas construtivas são sempre bem-vindos.
Tem ainda aqueles que fazem quadrinhos por amor, mas confundem o ofício com partidarismo político e ideológico. Enquanto as pessoas não se derem conta que o negócio é fazer “quadrinhos” e não “quadrinhos brasileiros”, não vamos ter uma visão crítica e madura sobre a produção nacional.
Poderia comentar sobre as editoras ausentes, mas já se falou bem sobre isso.
Sendo assim, para completar, estão lá os caras que também fazem quadrinhos por amor, ou ódio possivelmente, que expressam idéias, ideologias e devaneios de forma crua, conceitual e bem feita. Me desculpem os que possam ficar ofendidos, mas esses sim, estão fazendo arte de verdade, até mesmo em suas “intervenções” para atrair compradores.
E onde eu me encaixo nesta história? Não faço a mínima idéia! É fato que, na minha vida adulta, muitas vezes meu caminho com o desenho tenha sido guiado pela busca por dinheiro, pagar contas, comprar coisas e/ou realizar ambições nerds da minha adolescência. Ainda acho que sou um privilegiado na realidade brasileira por poder ganhar a vida com isso. Mas de uns anos pra cá, fazer minha própria arte ou entretenimento, ou melhor, fazer o que eu gosto, tem sido o objetivo a ser buscado. Uma espécie de amadurecimento misturado com resgate à infância. Quem sabe chego lá. Como todo bom alpinista, a meta da escalada deve ser o topo e nada menos. Que topo é esse? Isso vai de cada um. William Shatner pode elucidar a metáfora da montanha com brilhantismo para vocês:
Então sem mais delongas, vão se foder! Amo todos vocês!














